Eu odeio blogs. Não gosto da idéia de publicar, em suaves prestações, cada detalhe de sua vida, em troca de uma pseudo-fama virtual ignorante. São preenchidos com idéias vazias, alienação Global, piadinhas brasileiras de spam, e bobagens alheias.
Mas como todo bom hipócrita, colocarei aqui um comentário que pode ter saído de minha vida, ou não. O que descreverei aqui pode ser ficção, ou realidade. Nem eu mesmo me lembro.
Para iniciar a história, devo primeiro deixá-los a par de uma coisa: não gosto de batata palha. Ela surgiu há pouco tempo atrás, se considerarmos o tempo de existência de outras guloseimas inúteis. Era inicialmente usada em cachorros-quentes, mas logo adquiriu fama de alimento excêntrico, e começou a ser usada em outras coisas. Eu não gosto do sabor da batata palha, não gosto da textura. Para falar a verdade, não aprecio muito batatas em geral, com a exceção de um purê bem feito, ou de batatinhas fritas bem sequinhas e crocantes.
Hoje decidi almoçar num estabelecimento de fast-trash-food que servia batatas ao forno, recheadas de coisas estranhas. Analisei os sabores disponíveis, e decidi pela batata recheada de cheddar e frango. A mulher que atendeu-me, assim que me viu, exibiu um sorriso irônico, quase sarcástico, quase zombeteiro (aproveitei um momento de distração dela para verificar se o ziper da calça estava aberto, e se havia alguma nota de "chute-me" nas costas). Senti-me já intimidado por aquele sorriso arlequinoso, e fiz meu pedido.
Ela então me comunicou que, na promoção, ela colocaria junto do cheddar e do frango, batata palha. Seria o mesmo preço com ou sem a tal batata palha.
E aí, num segundo, calculei as possibilidades. Poderia aceitar a adição da batata palha, entregando-me à famosa "lei de Gerson" (levar vantagem em tudo, ou você é otário). Mas eu não queria a tal batata. Porque eu deveria ter esse pseudo-lucro ao comprar minha batata recheada? Não poderia aceitar o fato de que pagaria o mesmo, e ficaria sem ela? Optei por rejeitar a batata palha, mas minha vergonha e timidez, causada pela contaminação da lei de Gerson em meu cérebro, impediu-me de negar a batata palha assim, sem mais nem menos. Eu precisava inventar uma desculpa, e precisava ser rápido, o meu segundo estava acabando. Eu então, na minha sapiência de sempre, digo:
"Eu não quero batata palha, é que sou alérgico a batatas."
Eu precisei de apenas mais um segundo para perceber a idiotice por mim mencionada. O resto do almoço foi um borrão. Recolhi-me num canto, e, discretamente, engoli minha batata recheada de cheddar, frango, e sem nenhuma batata palha.
Meia hora depois vi a mesma mulher que me atendeu, andando na rua, com a cara fechada. Acho que ela sentiu-se culpada, e estava me procurando, para alertar-me sobre minha alergia.
Leitores de blog idiotas afugentados: 14
Mas como todo bom hipócrita, colocarei aqui um comentário que pode ter saído de minha vida, ou não. O que descreverei aqui pode ser ficção, ou realidade. Nem eu mesmo me lembro.
Para iniciar a história, devo primeiro deixá-los a par de uma coisa: não gosto de batata palha. Ela surgiu há pouco tempo atrás, se considerarmos o tempo de existência de outras guloseimas inúteis. Era inicialmente usada em cachorros-quentes, mas logo adquiriu fama de alimento excêntrico, e começou a ser usada em outras coisas. Eu não gosto do sabor da batata palha, não gosto da textura. Para falar a verdade, não aprecio muito batatas em geral, com a exceção de um purê bem feito, ou de batatinhas fritas bem sequinhas e crocantes.
Hoje decidi almoçar num estabelecimento de fast-trash-food que servia batatas ao forno, recheadas de coisas estranhas. Analisei os sabores disponíveis, e decidi pela batata recheada de cheddar e frango. A mulher que atendeu-me, assim que me viu, exibiu um sorriso irônico, quase sarcástico, quase zombeteiro (aproveitei um momento de distração dela para verificar se o ziper da calça estava aberto, e se havia alguma nota de "chute-me" nas costas). Senti-me já intimidado por aquele sorriso arlequinoso, e fiz meu pedido.
Ela então me comunicou que, na promoção, ela colocaria junto do cheddar e do frango, batata palha. Seria o mesmo preço com ou sem a tal batata palha.
E aí, num segundo, calculei as possibilidades. Poderia aceitar a adição da batata palha, entregando-me à famosa "lei de Gerson" (levar vantagem em tudo, ou você é otário). Mas eu não queria a tal batata. Porque eu deveria ter esse pseudo-lucro ao comprar minha batata recheada? Não poderia aceitar o fato de que pagaria o mesmo, e ficaria sem ela? Optei por rejeitar a batata palha, mas minha vergonha e timidez, causada pela contaminação da lei de Gerson em meu cérebro, impediu-me de negar a batata palha assim, sem mais nem menos. Eu precisava inventar uma desculpa, e precisava ser rápido, o meu segundo estava acabando. Eu então, na minha sapiência de sempre, digo:
"Eu não quero batata palha, é que sou alérgico a batatas."
Eu precisei de apenas mais um segundo para perceber a idiotice por mim mencionada. O resto do almoço foi um borrão. Recolhi-me num canto, e, discretamente, engoli minha batata recheada de cheddar, frango, e sem nenhuma batata palha.
Meia hora depois vi a mesma mulher que me atendeu, andando na rua, com a cara fechada. Acho que ela sentiu-se culpada, e estava me procurando, para alertar-me sobre minha alergia.
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